
Fui criada em uma cidade calma onde todos se conheciam e onde não existia violência. Para mim foi uma surpresa. Dois dias depois da minha chegada recebi a noticias da morte de meu pai, um dos maiores golpes que recebi da vida. Em uma cidade desconhecida, longe de casa, convivendo com pessoas desconhecidas, confesso que foi difícil.
Meu pai aquele homem meio rude, com 60 anos, que me amava muito. Eu era a sua filha predileta. Tudo ele fazia por mim. E eu, na cidade grande, acusada de ser a responsável por sua morte. Carreguei por quinze anos essa culpa. Tive que me fazer de forte para sobreviver. Consegui um trabalho e dei continuidade a minha vida.
Passado quase um ano da minha chegada conheci um rapaz. Começamos a namora e logo nos apaixonamos. Dias depois fiquei desempregada e como estava difícil de conseguir emprego devido às greves que estavam acontecendo no ABC, em 1981, decidi voltar para minha terra. Ele não aceitou a minha decisão e encontrou uma solução para o nosso problema: me pediu em casamento. Eu logo aceitei. Três meses depois estávamos morando juntos. Tudo parecia um sonho! Eu na minha casinha me sentia a mais feliz das mulheres. Só que nem tudo é um mar de rosas. Ele começou a se revelar um pouco agressivo, mais eu sempre acreditava que tudo ia passar. Que era ciúmes, e que ciúmes era amor.
Naquele tempo, isso até me deixava feliz. Acreditava que era amada. Não queria mais nada. Quantas vezes fui agredida quando ele, segurando-me pelos cabelos, me obrigava a falar quantos homens eu tive antes dele? Quantas vezes eu fiquei sozinha chorando pela maneira como eu era tratada, quando ele saia para trabalhar? Mais à noite, quando ele chegava, eu me esquecia de tudo. E mais uma semana de felicidade se passava até ele agir de novo. Era assim que eu vivia.
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